Tribunal de Goiás

‘Estavam atrás de gratificação’, diz advogado sobre servidoras que denunciaram assédio

quinta-feira, 17/01/19 11:38

Genro do presidente da Corte, Ricardo Paes Sandré é investigado em procedimento administrativo interno e em inquérito civil do Ministério Público Estadual de Goiás

O advogado Thomaz Ricardo Rangel, que defende o ex-diretor do Centro de Saúde do Tribunal de Justiça de Goiás, Ricardo Paes Sandré, afirmou que acusações de assédio sexual e moral feitas por servidoras são decorrentes de uma ‘batalha por gratificações’ instaurada dentro da Corte. Genro do presidente da Corte, Sandré é investigado em procedimento administrativo interno e em inquérito civil do Ministério Público Estadual de Goiás.

Testemunhas em processo administrativo que corre no TJ e de inquérito no Ministério Público Estadual de Goiás, as mulheres foram convocadas a depor na Corte entre os dias 18 e 21 de janeiro. As investigações correm desde maio de 2018. Inicialmente, elas prestaram depoimento ao Ministério Público do Trabalho. O caso foi então encaminhado à Promotoria estadual.

As servidoras que prestaram depoimento afirmam que, como represália aos ‘inimigos’, Sandré mudava escalas de trabalho constantemente, barganhava a retirada e a concessão de gratificações e ameaçava não autorizar férias.

Uma das funcionárias afirmou ter entrado em depressão após supostas perseguições. “Quando eu ficava irritada com as insinuações sexuais, (ele) dizia que adoraria me acalmar na cama. Certa feita disse: “Estou com dor de garganta hoje (…) seu marido faz isso com a sra., doutora?”.

Ela relata ter ouvido suposta barganha de gratificações. “Dra, mas eu posso ver uma gratificação, ou poderia deixar a sua, para caso você queira virar minha amante”.

O advogado de Sandré afirma que o ‘próprio servidor pediu a abertura de procedimento administrativo contra si mesmo’. “O PAD demorou pra andar. Eu posso falar as datas em que eu, advogado, pedi para que ele andasse. Com relação a assédio sexual, duas pessoas atribuem a ele comportamento”.

O defensor diz que uma das vítimas ‘é uma estagiária que poucas pessoas sequer lembram dela’. “Ela disse que o fato aconteceu em 2014 ou 2015. Ela não fez nada, nunca foi. Tudo bem, é comum acontecer segundo consta. Mas, de repente, quando toda essa história surgiu, encontraram essa pessoa”.

“Essa pessoa sequer é lembrada apesar de ter estado lá. Ela disse que não é velado, que ele fazia isso abertamente. Aí você vai atras de todo mundo que ela diz ter presenciado e todo mundo diz que não acontecia”, afirmou.

“Algumas pessoas que foram ouvidas, ninguém lembra. A outra acusação é ainda mais temerária. É dito, não é tão claro, é muito mais o que a pessoa sentiu”, defende.

O advogado argumenta que ‘essa outra pessoa que atribui isso a ele, que não aconteceu’. “A batalha sempre foi em razão de gratificações. Algumas pessoas estavam atrás de gratificação, lotação. O Ricardo sempre priorizou o atendimento disso. Por isso a questão das férias. Algumas férias dificultaria porque o médico, quando sai de férias, precisa indicar outro para substituir. A questão de gratificações, uma dessas pessoas era uma das que estavam em uma batalha por gratificação”.

“O contexto é bem mais amplo do que só essa história. Isso é tão verdade que o processo administrativo, que é sigiloso para quase todas as pessoas, são as denunciantes que te levaram essa notícia. Isso é o que eu estou afirmando”, afirmou o advogado.

“A família dele se mantém unida, profundamente unida. Ninguém engoliu essa história, mas, de qualquer maneira, é uma situação que traz desgaste. Os filhos têm sofrido com isso. A vida social foi comprometida. Um filho teve problema de saúde há um tempo atrás, está afastado do serviço”, defende.

“O atendimento na Corte sofreu um decréscimo, com dificuldade de pessoal. Pessoas que não estão indo trabalhar. Houve decréscimo em relação ao período em que o Dr. Ricardo trabalhava lá”, afirma.

COM A PALAVRA, RICARDO PAES SANDRÉ

Nota à imprensa
Ricardo Paes Sandre, buscando espaço de fala através dos veículos de notícia que divulgaram relatos a meu respeito, vem a público dizer que:
1) a primeira e mais importante premissa é a de que nenhum dos relatos que me atribuem práticas de irregularidades, assédio moral, sexual ou abuso de poder (nenhum!) condizem com a verdade, sequer remotamente;
2) a ação orquestrada de alguns servidores (nem de longe a maioria), tornou-se uma cruzada pelo assassinato de minha reputação. As causas estão relacionadas a decisões administrativas que foram tomadas em colegiado e, sobretudo, ao choque de gestão implantado na direção no Serviço de Saúde do TJGO, a exemplo de exigências simples como:
I) cumprimento de horário (fiscalizado eletronicamente),
II) desempenho pleno das funções médicas, inclusive em situações de emergência médica (situações frequentemente recusadas por médicos!), ou
III) gratificações concedidas por critério de mérito e pertinência com as funções. Todas as decisões que advindas deste choque de gestão, além de serem resultantes de atuação colegiada, atenderam a determinações superiores, do Conselho Nacional de Justiça;
3) após a deflagração desta ação difamatória, espontaneamente me afastei de minhas funções e, por minha iniciativa, solicitei a instauração de um procedimento administrativo disciplinar na Corregedora do TJGO, destinado a minha própria investigação;
4) jamais (repito: jamais!) fui chamado a me manifestar ou me franquearam espaço para que pudesse expor minhas considerações ou exercer minha defesa. Ao contrário; somente através de medida judicial (Mandado de Segurança nº 5269032.14) pude ter acesso aos autos do procedimento destinado às investigações que, até o momento da decisão liminar, foram mantidos em sigilo em meu desfavor;
5) para além das contradições e fragilidades nítidas em depoimentos motivados por inconformismos de alguns servidores, uma série de outras provas e informações inexploradas, demonstrarão em curto tempo a existência deste verdadeiro assassinato de reputação;
6) as difamações, injúrias e até calúnias orquestradas em meu desfavor, além de me atingirem, tem refletido diretamente na integridade moral de minha família. Por esta razão e, sobretudo por eles, tão logo possa vir a me pronunciar na instância administrativa e judicial, provarei a inverdade destes factoides e adotarei as medidas judiciais cabíveis.
—————————————————————
Quem é Ricardo Paes Sandri?
O médico Ricardo Paes Sandre é concursado do TJGO, sendo técnico judiciário-médico do trabalho desde 2011. Foi diretor do Centro Médico de Saúde do TJGO entre 2013 e 2018. Este ano, diante de acusações que ele antecipa serem infundadas, pediu exoneração do cargo de diretor, solicitou abertura de processo administrativo para apuração dos fatos e afastou-se do trabalho (licença médica, férias acumuladas e licença-prêmio).
O médico formou-se pela Universidade Federal de Juiz de Fora (MG) no ano 2000; é pós-graduado em MEDICINA DO TRABALHO pela Faculdade de Medicina de Itajubá (MG) em 2003 e com especialização em GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA pelo Hospital Santa Casa de Misericórdia de Goiânia (2005). É médico concursado da Secretaria Municipal de Goiânia desde 2005 e concursado como técnico judiciário-médico do trabalho do TJGO desde 2011.
No início de sua carreira médica, entre 2001 e 2003, Ricardo Paes Sandre atuou como MÉDICO DA FAMÍLIA pela Prefeitura de Goiânia. Foi diretor metropolitano regional Goiânia do SAMU entre 2005 e 2011. Sob sua gestão, o serviço do SAMU Goiânia foi ampliado de 3 para 24 ambulâncias e criado o serviço de motolâncias, com 11 motocicletas equipadas, diminuindo assim o tempo de resposta ao atendimento. O serviço foi considerado o 2º melhor do Brasil e recebeu visita do Grupo de Pesquisa Interdisciplinar da Universidade de Montreal, que veio conhecer o serviço prestado pelo SAMU. O grupo participou de um workshop no SAMU Goiânia com apoio do governo do Canadá (Agência Canadense de Desenvolvimento Internacional – ACCDI).
Concursado como técnico judiciário-médico do trabalho do TJGO em 2011, em 2013 foi convidado a assumir a direção do Centro Médico. Através de sua dedicação e moralidade na gestão pública, auxiliou na implementação do SESMET; criou o serviço de assistência médica em urgência e emergência no TJGO; criou o pré-hospitalar móvel (ambulância) de urgência do TJGO; criou unidades de saúde nos fóruns criminal e cível; criou o sistema de prontuário eletrônico no tribunal dentre outras coisas.
Vale ressaltar que, apesar de ser diretor do Centro Médico de Saúde do TJGO, o médico nunca deixou de atender todo e qualquer paciente que necessitasse de cuidados médicos, inclusive de urgência e de emergência no TJGO e imediações, exercendo a Medicina em sua totalidade. Além de médico, Ricardo Paes Sandre formou-se em DIREITO em 2013, mas já havia passado no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em 2012.

Fonte:Estadão

Últimas notícias

ver mais
Redução Salarial STF retoma julgamento da ADI 2238 dia 21 de agosto segunda-feira, 19/08/19 15:45 Fenajud convida sindicatos de base para mobilização no Supremo Tribunal Federal na data. Especialistas ...
transporte coletivo Acessibilidade no transporte rodoviário motiva visita segunda-feira, 19/08/19 15:39 Comissão vai ao DEER-MG para verificar a prestação de serviço às pessoas com deficiência ...
PEC 6/2019 Audiências sobre a reforma da Previdência dominam a semana da CCJ segunda-feira, 19/08/19 15:32 A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) dedicará quase toda a semana a ...

Convênios

ver mais
Cervejaria SLOD Bebidas / Cervejarias Jardim Canadá . Nova Lima (31) 3665 9207 www.slod.com.br 5% ver mais
Grupo Tauá de Hotéis Hotelaria Caeté e Araxá/MG . Atibaia/SP (31) 3236 1900 www.tauaresorts.com.br 10% ver mais
Clubes de Lazer do Cruzeiro Clubes Barro Preto e Pampulha . BH (31) 3291 2599 www.cruzeiro.com.br ISENÇÃO da Taxa de Adesão ver mais
Barbearia Medie Val Barbearia Cruzerio . BH (31) 3568 3712 https://goo.gl/x5scoU 10% a 20% ver mais
Top