ARTIGO

LONGEVIDADE E CUIDADO FAMILIAR

sexta-feira, 06/07/18 13:24

O processo de envelhecimento no Brasil encontra-se acelerado, e é cada vez mais comum as famílias terem um idoso em casa. Quando o idoso é independente e consegue ser autônomo no que diz respeito às atividades de vida diária, como se alimentar, tomar banho, se vestir entre outros, há uma adaptação satisfatória na maioria das vezes. Mas, quando o idoso é dependente e não consegue realizar essas atividades, é necessário um cuidado familiar constante e mais próximo.

Mas, será que toda família está preparada para cuidar do idoso dependente? Hoje, há um aumento da população que necessita de cuidados prolongados, e uma redução da oferta de cuidadores familiares. Isso porque ocorreu uma mudança no papel social da mulher, que trabalha fora, e as famílias estão menores, com um nível de fecundidade menor que o de reposição, pois os casais querem ter menos filhos ou as vezes decidem não tê-los.

A população idosa está mais suscetível a sofrer doenças e agravos na saúde não transmissíveis, que geram sequelas muitas vezes limitantes, gerando situações de dependência e cuidado prolongado. Antigamente, a mulher era a cuidadora dos dependentes, e o homem provedor. Hoje, a mulher, cada vez mais, se torna provedora, mas ainda mantém o cuidado com os dependentes, o que promove uma sobrecarga para a mesma. Com essa nova configuração familiar, o cuidado familiar para com o idoso dependente está cada vez mais complicado, e a necessidade de políticas públicas que proporcionem a oportunidade de cuidado não familiar ou de profissionais capacitados para essa população idosa vem crescendo.

Algumas pesquisas ressaltam também que nem sempre ser cuidado por filhos e familiares é garantia de respeito e qualidade de vida. A família, para alguns estudiosos, é considerada um ambiente onde ocorrem disputa de poder entre gêneros e gerações.

Em quase todo mundo, o cuidado familiar está se tornando escasso, e o cuidado formal ganha força. Entende-se cuidado formal como aquele que envolve profissionais no domicílio do idoso, ou ILPIs (Instituições de Longa Permanência para Idosos) e/ou centros dia do setor público e privado. O cuidador familiar pode ser complementado com o apoio de profissionais qualificados no cuidado direto com o idoso dependente, como também, receber treinamento, remuneração, ajuda psicológica de acordo com a necessidade. No Brasil, infelizmente, o cuidado familiar possui pouco apoio e orientação. Precisamos desenvolver políticas públicas mais adequadas para este fim, já que o processo de envelhecimento do País está cada vez mais rápido.

Os cuidadores familiares, geralmente, são idosos que cuidam de idosos mais velhos, pois faltam jovens para este fim. São na maioria mulheres, uma vez que os cuidados envolvem tarefas geralmente consideradas femininas por uma questão cultural. Mas não podemos esquecer que o cuidado gera problemas físicos e psicológicos no cuidador familiar, que envolve a interação com outros familiares e que quase sempre lida com conflitos familiares. As relações afetivas conflitantes estão quase sempre mescladas com a questão de disponibilidade de recursos financeiros.

Portanto, a longevidade pode ter como consequência a dependência do idoso a um cuidador familiar ou formal ou ambos cuidados mesclados. Mas deve-se ter também um olhar sensível para as questões que envolvem o cuidador familiar, para que a carga de estresse que ele carrega seja amenizada e, assim, o cuidado se tornará mais equilibrado trazendo mais qualidade para o idoso dependente, assim como também uma relação familiar mais saudável com menos conflitos.

Débora Guizoli

Psicóloga (CRP 04/31433)

(Instrutora de Oficina de Memória)

Especialista em Gerontologia pela PUC/MG

debora@memoriaativa.com.br

www.memoriaativa.com.br

Débora Guizoli

É psicóloga, com pós-graduação em Gerontologia pela PUC Minas. Atua como Instrutora de Oficina de Memória no SINJUS-MG. Possui experiência com trabalhos em grupo focados em Estimulação Cognitiva e Desenvolvimento Humano.

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