ARTIGO

Processo de finitude

terça-feira, 31/07/18 12:26

Pensar no processo de finitude não é uma tarefa fácil para nós seres humanos. Em algum momento da vida este tema percorre nos nossos pensamentos e logo surgem as dúvidas de como vamos envelhecer e como será nosso final.

Geralmente agimos como se nunca fossemos morrer, como se isto estivesse longe da nossa realidade e passamos a vida correndo, sonhando e buscando sucesso em todas as áreas o que não há problema algum em fazer, desde que jamais esqueçamos que a morte é algo inevitável para todos os seres vivos.

Se morrer faz parte da vida, falar sobre este assunto deveria ser algo tranquilo e sem espanto. Mas o que percebemos é a fuga de grande parte das pessoas para com este assunto. Falamos sobre qualidade de vida, saúde, alimentação, esporte, estética e quase nunca conseguimos conversar sobre o processo de finitude. Este é um assunto que a maioria das famílias não costuma falar e ainda possui medo de conversar.

Cada ser humano envelhece de forma diferente. A partir do momento que adquirimos consciência da nossa finitude, deveríamos nos poupar de vários problemas como inimizades, ganância, rancor, falta de humildade, ritmo estressante de vida entre outros. Poderíamos talvez, tentar liberar mais o perdão, aproveitar cada minuto ao lado das pessoas que amamos, separar algumas horas para o lazer, ajudar os mais necessitados, buscar mais a espiritualidade, enfim, dar um sentido existencial para nossa vida.

O medo de morrer vem acompanhado do medo de sofrer. Grande parte das pessoas não deseja sofrer e se preocupa em não “dar trabalho” para os familiares e amigos no final da vida. Infelizmente, isso não podemos determinar, pois não possuímos o poder de definir como será nosso fim. Podemos ter um fim rápido, indolor e tranquilo, como também, doloroso e prolongado. O que você deseja para o final da sua existência? Se tiver em situação de adoecimento grave sem chances de cura, idade avançada, você gostaria de tentar todos os procedimentos médicos possíveis para manter-se vivo, ou prefere apenas não sentir dor e seguir com os cuidados paliativos? Reflita sobre isso.

Se pensarmos no curso da nossa vida, em algumas fases já proporcionamos muito trabalho a quem conviveu conosco. Na barriga das nossas mães já começamos a “dar trabalho”. Quando nascemos até a fase adulta continuamos a “dar trabalho”. Em todas as fases proporcionamos algum tipo de trabalho a quem nos cerca. Mesmo depois de adultos conseguimos preocupar de alguma forma nossos parentes, amigos ou até mesmo um vizinho. É importante entendermos que ocupar o outro, é inevitável em qualquer situação de dependência. Adoecemos em qualquer fase da vida, mas devemos saber “dar trabalho”, ou seja, aceitarmos nossas limitações e permitirmos que o outro cuide de nós quando realmente precisarmos. Não é uma tarefa fácil, mas é um trabalho de aceitação que devemos exercitar.

Pergunte a si mesmo: que idoso (a) quero ser, se tiver a oportunidade de sê-lo? Independente da idade cronológica que possuo, qual idade eu me daria hoje?   A partir destas perguntas, reflita sobre você e sua existência. O processo de finitude é muito pessoal, porém estar em sintonia com ele pode nos tornar mais sensíveis na relação com o outro, possibilitando uma vida mais leve, feliz e um final com mais dignidade.

Débora Guizoli
Psicóloga (CRP 04/31433)
(Instrutora de Oficina de Memória)
Especialista em Gerontologia pela PUC/MG
debora@memoriaativa.com.br
www.memoriaativa.com.br

Débora Guizoli

É psicóloga, com pós-graduação em Gerontologia pela PUC Minas. Atua como Instrutora de Oficina de Memória no SINJUS-MG. Possui experiência com trabalhos em grupo focados em Estimulação Cognitiva e Desenvolvimento Humano.

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