DEMOCRACIA EM RISCO

SINJUS REPUDIA EXECUÇÃO DA VEREADORA MARIELLE FRANCO

quinta-feira, 15/03/18 17:53

Ontem, dia 14/3, a democracia brasileira sofreu mais um duro golpe com a notícia da execução sumária da vereadora pelo município do Rio de Janeiro Marielle Franco (PSOL). O carro dela foi atingido por oito tiros disparados por ocupantes de outro carro. A vereadora e o motorista Anderson Pedro Gomes morreram. A assessora Fernanda Chaves sobreviveu. Para o Sindicato dos Servidores da Justiça de 2ª Instância (SINJUS-MG), o crime demostra o risco a que os representantes das minorias estão expostos e também a fragilidade da intervenção federal no Estado do Rio de Janeiro, uma vez que os bandidos tornaram claro que não se sentem intimidados com a presença do Exército.

Marielle havia participado de um evento chamado “Jovens Negras Movendo as Estruturas”, no bairro da Lapa, e, segundo as investigações, foi seguida por um Chevrolet Cobalt. Os disparos foram feitos a uma distância de dois metros. O caso é tratado como execução, pois a ativista e militante era relatora da Comissão que vai acompanhar a intervenção no Rio de Janeiro e, em 10 de março, havia denunciado o 41º Batalhão da Polícia Militar, responsável pela região do bairro de Acari.

De acordo com cálculo feito pelo jornal Folha de São Paulo com base em informações do Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, o 41º Batalhão é o que mais mata pessoas em supostos confrontos com a polícia. Desde 2011, foram 567 mortes provocadas pelas forças militares do Estado. Somente em janeiro deste ano, 41% das mortes violentas na região tiveram como autores os policiais lotados no 41º Batalhão.

Manifestações no País e no mundo

Após a divulgação da execução, diversas manifestações começaram a acontecer por todo o País. Nesta quinta-feira, milhares de pessoas protestaram em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Brasília, Belém, Juiz de Fora, Porto Alegre, Florianópolis, Natal e Curitiba.

Em Belo Horizonte, o ato de repúdio está marcado para as 17h30, na Praça da Estação. Em sua conta no Facebook, a vereadora por BH Áurea Carolina (PSOL) fez a convocação. “Por ela e por Anderson (Pedro Gomes, motorista assassinado juntamente com Marielle), seguimos recolhendo cacos para pedir justiça e exigimos que as circunstâncias desse crime sejam rigorosamente investigadas. Por termos umas às outras e tantas pessoas que confiam em nós, por termos escolhido como compromisso o árduo caminho da resistência, seguiremos em luta”.

Na manhã desta quinta-feira, deputadas, deputados e militantes dos direitos humanos realizaram um ato em homenagem à Marielle na Câmara Federal. Foram proferidos discursos em defesa das causas defendidas pela vereadora. Muitos presentes carregavam girassóis.

Milhares de pessoas também protestaram durante a tarde de hoje na porta do Palácio Pedro Ernesto, sede da Câmara Municipal do Rio. Entoando “Marielle, presente!”, a população reforçava o pedido de Justiça e punição para os envolvidos.

Em reunião do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, o partido espanhol Podemos condenou o assassinato da vereadora Marielle Franco e pediu que a União Europeia suspenda as negociações do acordo comercial com o Mercosul. O porta-voz dessa sigla, Miguel Urbán, que juntamente com outros eurodeputados segurava cartaz com os dizeres “Marielle presente”, afirmou em carta que “o assassinato de Marielle Franco tem a intenção de amedrontar os defensores dos direitos humanos assim como influenciar as campanhas eleitorais realizadas neste ano. Queremos manifestar o nosso mais profundo rechaço a esse assassinato e exigir que a Comissão Europeia suspenda essas negociações comerciais de maneira imediata.”.

Nota da Fenajud

A Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário nos Estados (Fenajud), além de outras entidades, emitiu nota de repúdio ao crime. Confira abaixo a íntegra.

“A Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário nos Estados (Fenajud) vem a público, nesse momento de dor, manifestar profundo repúdio diante do assassinato de nossa companheira de luta e vereadora do PSOL, Marielle Franco.

Marielle uma aguerrida militante destacada na defesa dos direitos humanos e da igualdade social, deixa um legado de lutas em favor da classe trabalhadora, além de um futuro a favor do povo e de uma sociedade mais justa e igualitária.

Nos somaremos às vozes que clamam por justiça e que esperam rigor nas investigações para que apontem os responsáveis por este crime abominável.

À família e aos companheiros e companheiras do PSOL, nossos pêsames e nossa mais irrestrita solidariedade”

Com informações de G1, Folha de São Paulo, El País e Estado de Minas.

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