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O Assédio Moral não é um problema individual, mas organizacional e social. Não é qualquer conduta que o caracteriza, mas os contextos que o favorecem devem ser parte de uma ampla política de prevenção. Esse foi o “recado” mais importante (e consensual) para os participantes da “Conferência Internacional sobre Assédio Moral e outras manifestações de Violência no Trabalho”, ocorrida de 12 a 15/7/2010, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O evento contou com a presença do SINJUS-MG e de conferencistas brasileiros e estrangeiros das áreas de Administração/Gestão, Saúde, Psicologia e Direito (entre estes últimos, havia juízes e procuradores). O coordenador-geral da entidade, Robert Wagner França, realizou nessa quinta-feira, 15/7, a palestra intitulada “Combatendo o Assédio Moral na Administração Pública: Estratégias e Desafios”.
O coordenador explicou que, na Administração Pública, o Assédio Moral, ao prejudicar a auto-estima, a saúde e o desempenho do servidor (podendo levar à queda da qualidade do serviço), acaba causando também prejuízos à população que precisa dos serviços, ao Estado (devido a afastamentos e licenças-médicas) e, finalmente, à imagem da instituição. “Ou seja, é o Estado trabalhando contra ele mesmo”, salientou Robert em sua exposição. Ele conclui: “a autoridade é necessária, mas o autoritarismo é antiprodutivo e configura abuso de poder. Estabelecer metas é natural, mas elas precisam ser viáveis e não podem ser usadas para humilhar o trabalhador.”
Na Conferência, foi apresentado o caso bem-sucedido da Fiocruz, que implementou um método de gestão compartilhada em que participam profissionais do setor de recursos humanos, psicólogos, médicos e representantes dos trabalhadores. A criação de comissões multidisciplinares é, inclusive, uma das propostas da Comissão de Combate ao Assédio Moral SINJUS-MG/Serjusmig junto ao TJMG. As ações de ambos os sindicatos no âmbito do Judiciário mineiro também foram consideradas bastante avançadas pelos conferencistas: criação do Plantão de Assédio Moral, elaboração de Projeto de Lei com outras entidades do funcionalismo estadual, palestras, cartilhas, atuação junto ao Tribunal, entre outras. Outra iniciativa elogiada foi o 1º Concurso de Monografias, com o tema do Assédio Moral, realizado no ano passado junto a todo o funcionalismo estadual. O SINJUS-MG lançou, no evento, a versão em língua espanhola (formato digital) da sua cartilha "Combate ao Assédio Moral na Administração Pública".
Para o SINJUS-MG, o papel dos sindicatos é ajudar o trabalhador a se fortalecer, prevenindo assim a instalação do assédio. Está mais do que na hora de denunciar e deixar de ver a violência no local de trabalho como algo natural, certo? Lembre-se: o sindicato está pronto a proteger o assediado e também a receber denúncias! |