Dia Mundial do Idoso

Velhice plena: cuidados com saúde devem começar cedo

segunda-feira, 01/10/18 15:16

Até 2030, a idade mediana da população brasileira terá aumentado de 20 para 40 anos, em comparação com a estatística de 1980, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Atualmente, há 28 milhões de pessoas no país com mais de 60 anos. Em 2060, é estimado que esse grupo chegue a 73 milhões.

À medida que esses números crescem, aumentam também as doenças degenerativas. Somente novos casos de demência, como o Alzheimer, atingem 55 mil a cada 12 meses no país. Em todo o mundo, aproximadamente 47 milhões de pacientes sofrem de problemas como esse.

“Essas enfermidades comprometem muito a qualidade de vida e há uma prevalência de enfermidades degenerativas na terceira idade. Não só Alzheimer, como o Parkinson. A osteoporose também é uma delas. Mas essa causará prejuízos no caso de uma queda, podendo ocasionar fratura”, destaca Estévão Alves Valle, geriatra da Unimed-BH.

O cenário apresentado hoje, Dia Mundial do Idoso, leva à reflexão de que cuidados com saúde e bem-estar devem ser tomados desde a meia-idade e a juventude, já que o processo de envelhecimento está ligado a inúmeros mecanismos.

“Baixa qualidade de sono, estresse e ganho de peso causam inflamação sistêmica, que é um dos fatores de envelhecimento. Não ingerir alimentos antioxidantes, manter o sedentarismo e não expor o corpo à vitamina D são atitudes que ajudam no processo de oxidação do organismo, o que faz envelhecer”, aponta o nutrólogo Lucas Penchel, proprietário de uma clínica na capital.

Em grupo

Quem percebeu a necessidade de aderir à atividade física de forma frequente e ter uma vida mais saudável após a entrada na terceira idade foi o aposentado José Francisco da Rocha, de 78 anos, que é diabético e hipertenso. Ele é um dos mais de 150 idosos assíduos ao Programa Viver Bem, da Unimed-BH, no Centro de Promoção à Saúde de Betim, na Grande BH.

“Estou muito feliz, as atividades me proporcionam prazer e acolhimento. Faço ginástica de solo, levantamento de peso, caminhada, alongamento e uma série de exercícios variados. Já gostava de praticar algumas atividades, mas aqui é controlado, temos acompanhamento e a convivência com o grupo é muito interessante”, conta José Francisco.

Os recém-completos 60 anos deram a oportunidade de inclusão no grupo à Dorotéia Clemência de Jesus, aposentada há três. “Há seis meses estou aqui por indicação da minha psicóloga, e já perdi peso. Estou com mais disposição e ganhei muitos amigos”, relata.

A educadora física Camila Rodrigues Valentim, de 29 anos, é responsável pela turma de José e Dorotéia. “Cada um faz dentro da sua limitação, realizo avaliação de seis em seis meses. Eles também têm acompanhamento com enfermagem, nutricionista e psicólogo. É um trabalho interdisciplinar”, explica.

Além das atividades físicas, são feitas palestras com temas de interesse para o idoso. Exemplos são a importância da alimentação saudável e os perigos da automedicação.

Manter o peso regulado é uma das dicas dos especialistas
A longevidade é uma conquista da humanidade. No entanto, não deve vir cercada de complicações e incapacidade. Para evitar o excesso de medicação e a dependência, especialistas indicam a construção de saúde forte ao longo da vida.

“Alimentação saudável, colorida, com menos açúcares, carboidratos e conservantes é a ideal. Colocar a vida em movimento, pensando que sedentarismo é mais danoso que cigarro, além de ter atividade intelectual o mais frequente possível”, aponta o geriatra Estévão Alves Valle.

Manter-se dentro de um peso saudável, observando a extensão máxima de circunferência abdominal em 94 centímetros para homens e 80 para mulheres é uma das orientações do nutrólogo Lucas Penchel. “A obesidade abre o organismo para várias doenças como diabetes e infarto”, coloca.

Em relação à deterioração do organismo, que acontece naturalmente a partir dos 40 anos, o fisioterapeuta Rodrigo Moura, sócio da clínica FortaleSer, afirma que os movimentos têm de ser mantidos.

“É um processo que não está ligado a dor. Mesmo diante de uma lesão dolorosa, o tratamento deve prezar pela exposição gradual da pessoa aos movimentos que antes evitava. Deixar que o paciente sinta-se capaz de progredir”, acredita.

Uma das medicações mais eficazes é atividade física. “Quanto maior o tempo praticado e mais adaptada a pessoa tiver, mais funcional ela será”, expõe o educador físico Alexandre Magalhães, da academia Bodytech, com unidades na Savassi e no Belvedere, em BH.

Ele é responsável pelo treinamento do médico Deodato Cartaxo Filho, de 77 anos. “Pratico atividades desde os 13, tenho alimentação moderada e não fumo. Os benefícios são vários, inclusive físico e intelectual”, destaca.

Fonte: Hoje em Dia

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