Informação e tecnologia derrubam barreiras para pessoas com deficiência
quarta-feira, 23/09/26 19:05
O acesso à informação é o primeiro passo para derrubar barreiras que limitam a autonomia e a interação social das pessoas com deficiência. De forma prática, saber que determinada tecnologia assistiva existe pode ser a diferença entre perder um emprego e construir uma empresa inovadora, entre uma criança ficar para trás na sala de aula e aprender no mesmo ritmo dos demais colegas. Esse é um dos principais recados que a Mostra de Tecnologias Assistivas e Soluções de Acessibilidade, promovida pelo SINJUS-MG, SERJUSMIG e SINDOJUS/MG, está transmitindo aos seus visitantes.
A história de Arthur Minniti ajuda a dimensionar o impacto negativo da falta de informação. Após uma cirurgia, por volta do ano 2000, sua visão começou a piorar. Na época, ele ocupava um bom cargo em uma empresa e dependia do computador para trabalhar. Entretanto, sem saber que existiam ferramentas capazes de permitir a continuidade de suas atividades, ele acabou optando por deixar o emprego.


Após perder a visão, Arthur empreendeu e fundou a Tecnovisão
Segundo Arthur, a realidade naquele período também era bem diferente da de hoje. A oferta de equipamentos era limitada e havia poucos profissionais preparados para orientar as pessoas sobre como utilizar as tecnologias existentes. E a virada em sua trajetória veio por meio de pesquisas na internet, pela qual passou a ter contato com pessoas de outros países que conheciam recursos para pessoas com deficiência visual. Assim, conheceu os softwares leitores de tela, ampliadores, linhas e impressoras Braille e voltou a utilizar o computador de outra maneira.
Foi a partir desse processo de aprender a operar o computador de uma nova forma para se comunicar e com o conhecimento adquirido com especialistas e em fóruns que ele identificou um mercado a ser explorado. Assim nascia, em 2010, a Tecnovisão. A empresa trabalha com soluções voltadas a crianças e adultos e tem como uma de suas principais motivações oferecer recursos que ampliem as possibilidades de participação e autonomia.
Para Minniti, o impacto mais sensível dessas ferramentas aparece em sala de aula. Segundo ele, a tecnologia muda a própria dinâmica do ensino ao proporcionar maior interação entre crianças e jovens, além de viabilizar as atividades em dupla ou em grupo. O resultado é o acesso à leitura e à escrita desde os primeiros anos.
“A tecnologia equiparou as crianças em sala de aula. Antes, existia só a relação entre professora e aluno. Hoje, isso ampliou o relacionamento entre os próprios colegas, porque quem está ao lado também pode ajudar. Por outro lado, infelizmente, nem todas as escolas estão equipadas, e as crianças que não têm acesso a essa tecnologia vão ficando cada vez mais para trás. Por isso, a importância de o poder público garantir essa acessibilidade para que todas entrem em sala de aula em equidade”, afirma Arthur Minniti.
Soluções para diferentes necessidades
A importância da informação, porém, não se restringe às pessoas com deficiência. Ela também é fundamental para familiares, escolas, profissionais de saúde e instituições que precisam identificar quais recursos podem ser adotados para garantir acessibilidade e inclusão.
A própria Mostra de Tecnologias Assistivas e Soluções de Acessibilidade do SINJUS prova que são diversas as opções de tecnologias assistivas que podem ser úteis em diferentes etapas da vida. Para uma criança, elas podem representar a possibilidade de se comunicar, brincar, alfabetizar e interagir. Para um jovem ou adulto, contribuem para os estudos, o trabalho e o empreendedorismo. Já para as famílias, esses produtos e serviços facilitam o entendimento entre os membros e a segurança e autonomia da pessoa com deficiência em casa e nos demais espaços de convivência.
No estande da Civiam Tecnologia Assistiva, empresa com 62 anos de mercado, diversas soluções estão disponíveis para que o público da Mostra possa experimentar. São equipamentos de comunicação alternativa, para pessoas com baixa visão, vocalizadores, rastreadores e “mouses” oculares, entre outros


José Ricardo, Rodrigo Alves e Daiane Carvalho com produtos apresentados na Mostra
Segundo o representante José Ricardo, dois produtos chamaram mais atenção do público. “O Cosmo é um software que treina o físico, o motor e o cognitivo das crianças. Ele estimula a criança e pode ser usado com música. Ajuda tanto crianças típicas quanto atípicas. Já o sistema de rastreamento reproduz os movimentos do mouse pela cabeça ou pelo olhar e a pessoa tem a opção de clicar por mordida, por piscada, movimento de bochecha ou movimentos de cabeça, a depender do que a pessoa consegue fazer”, explica.
Assim como as tecnologias, os valores também podem variar bastante, desde pranchas de comunicação alternativa que custam entre R$ 20 e R$ 30, até um rastreador ocular que ultrapassa os R$ 24 mil. Os mais caros normalmente são adquiridos por órgãos públicos, instituições, empresas e profissionais.
“Vendemos para clínicas, hospitais, escolas e também diretamente para famílias. Em hospitais, por exemplo, o rastreador ocular já é usado como solução completa de comunicação para o paciente”, afirma a representante da Civiam Daiane Carvalho.
Para equipamentos com preços intermediários, as famílias contam com linhas de financiamento. Um exemplo é o programa Viver sem Limite, lançado em 2011 pelo governo federal e operado pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal, que oferece taxa de juros próxima de 6% ao ano, o que ajuda pessoas físicas a adquirir essas soluções.
Conhecer para compreender
Na Mostra, o contato direto com as tecnologias está ajudando também as pessoas sem deficiência a conhecer as barreiras de nossa sociedade. Muitos visitantes chegam aos estandes sem saber exatamente para que servem determinados recursos e passam a compreender suas possibilidades depois de experimentá-los. “Acho que é muito importante essa feira. A gente vê que o pessoal fica bem interessado porque muita coisa eles ainda não conheciam”, afirmou José Ricardo.
Percepção também compartilhada por Arthur Minniti. “Muita gente não tinha ideia de como funciona uma linha em Braile ou um ampliador de texto. Agora, tendo contato com esses produtos, quem convive com alguém com baixa visão passa a saber que a solução existe e pode repassar a informação”, completa.
Essa aproximação entre conhecimento e acesso é justamente o objetivo da Mostra de Tecnologias Assistivas e Soluções de Acessibilidade do SINJUS. Ao reunir pessoas com deficiência e sem deficiência, gestores públicos, profissionais da iniciativa privada e demais visitantes, amplia-se a compreensão da sociedade sobre acessibilidade, autonomia e inclusão.
Por isso, o SINJUS reforça o convite. Confira de perto todas as inovações da Mostra, que segue aberta ao público até o dia 25 de setembro, das 9h às 17h, no hall de entrada da sede do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), em Belo Horizonte.
O evento é uma realização do SINJUS e conta com a parceria do SERJUSMIG e do SINDOJUS/MG, com apoio do TJMG e da Escola Nacional da Magistratura, além do patrocínio do Sicoob JUS-MP.


