NM debate as diferentes formas de ser mulher na estreia do Sem Meias Taças
quinta-feira, 05/11/26 17:30
Como é possível lutar pela liberdade feminina sem compreender as diferentes formas de ser mulher? Partindo dessa provocação, o Núcleo das Mulheres do SINJUS-MG inaugurou, no dia 4 de novembro, o projeto Sem Meias Taças, uma iniciativa voltada à promoção de debates aprofundados e sem tabus sobre questões políticas, sociais e culturais.
O primeiro encontro teve como tema o feminismo interseccional e a pluralidade feminina, reunindo servidoras para refletir sobre como fatores como raça e classe social atravessam as experiências das mulheres e influenciam oportunidades, desafios e formas de ocupar a sociedade.
Com a presença da psicóloga e mestre em Psicologia Social Daniela Tiffany, o debate teve como referência a obra Mulheres, raça e classe, de Angela Davis, e abordou a necessidade de reconhecer as diferentes realidades femininas para construir uma luta por igualdade verdadeiramente representativa.
“Acolher sob uma perspectiva interseccional significa ir além do acolhimento genérico. É entender que as demandas de uma mulher negra e periférica, por exemplo, envolvem vulnerabilidades socioeconômicas e raciais que diferem das vivências de uma mulher branca de classe média, ou de uma mulher trans, ou de uma mulher com deficiência. Esse é um cuidado que exige escuta ativa e despida de julgamentos, que valide as dores individuais ao mesmo tempo em que compreende os sistemas de exclusão que as cercam” concluiu a coordenadora do NM, Adriana Teodoro.
Identidade
Daniela iniciou o debate compartilhando a experiência profissional adquirida no trabalho com mulheres privadas de liberdade. A psicóloga revelou que, ao chegar ao ambiente penitenciário, se deparou com uma realidade muito diferente do que imaginaria encontrar e descobriu, na prática, como as estruturas de opressão atingem mulheres de formas distintas.
A vivência despertou o interesse em compreender as múltiplas formas de vivenciar a identidade feminina e as particularidades que marcam cada trajetória, reconhecendo que afirmar a própria existência e defender o direito de ser quem é também constituem escolhas políticas.
Potencialidade feminina
Durante todo o encontro, participantes tiveram liberdade para fazer intervenções e provocações, enriquecendo o debate com diferentes perspectivas sobre a evolução geracional, a quebra de paradigmas e a desconstrução de tabus que, historicamente, limitaram a autonomia feminina. A discussão evidenciou, ainda, a importância de compreender como condições sociais, econômicas e raciais atravessam as experiências das mulheres e influenciam sua liberdade e suas possibilidades de escolha.
“Ser mulher por inteiro significa ter autonomia para fazer escolhas, construir a própria trajetória e ocupar espaços sem precisar se adequar a padrões impostos. É também reconhecer que essa autonomia envolve uma dimensão política, que exige questionar estruturas, reivindicar direitos e ampliar as possibilidades para as próximas gerações”, refletiu a coordenadora do Núcleo, Patrícia Oliveira.
Sem meias conversas
O novo espaço de diálogo do Núcleo das Mulheres reforçou a compreensão de que a pluralidade não deve ser vista como um obstáculo à união das mulheres, mas como um elemento essencial para fortalecer suas lutas.
Com o Sem Meias Taças, o NM amplia seus espaços de atuação e reafirma a importância de promover debates que fortaleçam a consciência crítica, a autonomia e a participação feminina. Afinal, reconhecer as diferenças, valorizar cada trajetória e construir caminhos coletivos também são formas de transformar a realidade.
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