SINJUS ENTREVISTA: Vicente de Oliveira Silva garante espaço para escuta dos servidores em sua gestão
sexta-feira, 24/04/26 18:09
Dando continuidade à série de entrevistas promovida pelo SINJUS-MG com as candidaturas à Presidência do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) para o biênio 2026-2028, o Sindicato publica agora a conversa com o desembargador Vicente de Oliveira Silva.
A iniciativa integra o compromisso do SINJUS de ampliar o debate institucional e oferecer às servidoras e aos servidores um canal direto para conhecer, comparar e avaliar as posições dos candidatos sobre pautas da categoria. Assim, foram abordados temas como Promoção Vertical, regulamentação da jornada de 8 horas, Data-Base, concursos públicos e condições de trabalho.
O segundo entrevistado, desembargador Vicente de Oliveira Silva, é natural de Água Boa, no interior de Minas Gerais, e formou-se em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Sua trajetória no serviço público começa como técnico judiciário da Justiça Federal em 1979, chegando a exercer a função de diretor de Secretaria da 9ª Vara Federal. Em seguida, atuou como promotor de Justiça nas comarcas de Matozinhos, Ribeirão das Neves, Sete Lagoas e Santa Luzia.
Na magistratura estadual, percorreu as comarcas de Contagem, Vespasiano, Itamarandiba, Diamantina, Nova Lima e Belo Horizonte. Na capital, exerceu a coordenação dos Juizados Especiais entre 2008 e 2014. Promovido por merecimento a desembargador em 2014, presidiu a 10ª Câmara Cível e a 20ª Câmara Cível, integrando também a Superintendência da Coordenadoria da Infância e da Juventude no biênio 2016/2018 e o Conselho da Magistratura no biênio 2020/2022. Na atual gestão do TJMG, Vicente de Oliveira Silva ocupa o cargo de superintendente administrativo adjunto.
Ao longo da entrevista, o desembargador reafirmou o compromisso com a escuta dos representantes da categoria como condição necessária para as decisões que afetam diretamente as servidoras e os servidores. A seguir, confira a íntegra da entrevista.
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PROMOÇÃO VERTICAL (PV)
SINJUS:
A atual estrutura da Promoção Vertical tem sido alvo de críticas por limitar o acesso de servidores altamente qualificados, inclusive com pontuações elevadas, devido ao número restrito de vagas. Como o senhor pretende corrigir as distorções estruturais da Promoção Vertical, garantindo que o número de vagas seja compatível com o universo de servidores qualificados?
Vicente de Oliveira Silva:
A carreira dos servidores, tal como posta atualmente, foi concebida numa realidade em que não existiam processos de automação judiciária. Nesse contexto, havia espaço para a execução de tarefas de menor complexidade e posterior avanço dos servidores numa estrutura piramidal de cargos, de modo que os mais qualificados passassem aos níveis mais elevados e assumissem atribuições mais complexas.
Embora essa realidade ainda não tenha se alterado completamente, é fato que os modernos sistemas de automação processual e administrativa elevam a exigência de conhecimentos e produtividade dos servidores. Passa a fazer sentido, então, um amplo estudo sobre a carreira destes, considerando pontos como a moderna demanda de qualificação e os resultados dos servidores. Quaisquer iniciativas nesse sentido deverão observar, contudo, requisitos de viabilidade orçamentária e fiscal, para não se criar um quadro de insustentabilidade que possa prejudicar os benefícios dos próprios servidores.
SINJUS:
E sobre a morosidade nos certames, haja vista que estamos em 2026 e a PV 2024 só deve ser finalizada no segundo semestre? O que o senhor pretende fazer para atacar esse problema?
Vicente de Oliveira Silva:
Existem diversos pontos de complexidade no processo classificatório de promoção vertical (PV) que acarretam a sua morosidade. Tais pontos perpassam, por exemplo, a apresentação e a análise de títulos a serem considerados para pontuação, como também os sucessivos prazos de impugnação e recursos. A modernização desse processo classificatório é possível, não apenas por meio da melhoria de procedimentos, mas também de sua simplificação, sempre em sintonia com os princípios regentes da carreira e da valorização dos servidores.
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REGULAMENTAÇÃO DAS 8 HORAS
SINJUS:
A regulamentação da jornada de 8 horas segue sem definição, mesmo após a criação de um Grupo de Trabalho específico e de cobranças reiteradas dos sindicatos. Qual é o seu posicionamento sobre o tema? Quais parâmetros pretende adotar para garantir equilíbrio entre produtividade institucional e saúde dos servidores? Na sua gestão, a regulamentação seria construída de forma democrática, com escuta dos servidores, adesão opcional, critérios não excludentes e compatibilidade com o teletrabalho?
Vicente de Oliveira Silva:
A regulamentação da jornada de 8 horas é um tema diretamente ligado à valorização dos servidores, pois implica a melhoria de seus vencimentos. O grupo de trabalho já constituído parte dessa diretriz, mas se volta também à preocupação de harmonizar o interesse de valorização dos servidores com o interesse público de melhoria dos serviços judiciários, pois o § 4º acrescentado pela Lei Estadual 24.794/2024 ao art. 20 da Lei 23.478/2019 impõe expressamente a observância aos critérios de oportunidade e conveniência administrativas.
Reside aí o desafio de construir soluções que possam compatibilizar os interesses dos servidores com as demandas estruturais do Poder Judiciário, de forma clara e objetiva. Acredito que, apesar de ser um desafio, a missão de regulamentar essa nova disposição legal encerra também uma oportunidade para o Poder Judiciário adotar práticas de gestão voltadas à boa equalização da força de trabalho dos servidores. A escuta dos servidores, por meio de seus representantes, será imprescindível nesse processo.
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DATA-BASE
SINJUS:
A atual gestão do TJMG honrou o compromisso de encaminhar os projetos de lei da data-base à ALMG ainda no ano de referência. Entretanto, avanços são necessários para que esse direito deixe de ser efetivado com atraso. Caso eleito, o senhor se compromete a adotar medidas para garantir não apenas o envio dos projetos, mas também a implementação das datas-bases em seus respectivos anos?
Vicente de Oliveira Silva:
Trata-se de um direito dos servidores, assegurado constitucionalmente e devidamente regulamentado no Estado de Minas Gerais pela Lei Estadual 18.909/2010. É necessário, portanto, que todos os esforços sejam empreendidos, no sentido de se dar o devido e tempestivo cumprimento a tais disposições, seja para o encaminhamento das propostas legislativas a tempo e modo próprios, seja para a efetiva implementação das revisões anuais. Assim como outros temas que tocam diretamente ao interesse dos servidores do Poder Judiciário, as providências a serem adotadas devem ser consideradas num contexto de programação orçamentária e viabilidade fiscal.
SINJUS:
Atualmente, os servidores do TJMG acumulam uma defasagem de 10,54% nos vencimentos, já considerado o índice de recomposição referente a 2025. Isso é resultado da adoção, em gestões anteriores, de percentuais inferiores à inflação medida pelo IPCA. Em contraste, o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais recentemente aprovou a recomposição integral das perdas inflacionárias de seus servidores no período de 2016 a 2025. Diante desse cenário, caso eleito, o senhor se compromete a abrir negociação com os sindicatos visando à recomposição das perdas acumuladas da categoria?
Vicente de Oliveira Silva:
Uma vez mais, a indagação se vincula de maneira estreita a aspectos de programação orçamentária e viabilidade fiscal. A efetiva recomposição dos vencimentos dos servidores, por meio da recuperação de perdas históricas, é plenamente justificável e necessária. Tal providência se vincula, no entanto, à programação orçamentária, considerando-se, nesse particular, a aprovação de valores suficientes na Lei Orçamentária Anual – LOA, bem assim ao satisfatório desempenho da Receita Corrente Líquida projetada – RCL. Importante constar, a propósito da menção à recomposição promovida pelo Tribunal de Contas, que se trata de realidades distintas, pois há sensível disparidade numérica do quadro de servidores e, consequentemente, do montante total da despesa.
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CONCURSOS PÚBLICOS
SINJUS:
O TJMG possui um déficit no quadro de pessoal que sobrecarrega os servidores em exercício, compromete a saúde da categoria e causa a morosidade nos serviços prestados à população mineira. Qual é o seu plano para a realização de novos concursos públicos e para a nomeação dos aprovados em certames vigentes?
Vicente de Oliveira Silva:
O provimento de cargos pela via dos concursos públicos é medida que se impõe ao gestor, sob pena de restar inviável o próprio funcionamento dos serviços. No caso do TJMG, existe um concurso ainda válido. Contudo, a nomeação de novos servidores há de ser sempre analisada sob a ótica do efetivo interesse público, da programação orçamentária e da viabilidade fiscal.
Um fator se acresce a essa análise, qual seja a automação dos serviços judiciários com novos sistemas de tecnologia da informação (TI). Essa observação é importante, pois o enxugamento numérico do quadro de servidores, num contexto de modernização das dinâmicas dos serviços que lhes são afetos, resultará, certamente, novas margens de programação que permitam o direcionamento de recursos de pessoal em benefício dos servidores que já se encontram em exercício.
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GESTÃO DE PESSOAS E CONDIÇÕES DE TRABALHO
SINJUS:
Nos últimos anos, tornaram-se recorrentes os problemas estruturais e as condições inadequadas em várias unidades do TJMG, envolvendo panes de elevadores, ambientes insalubres e infestação de pombos, ratos, baratas e escorpiões. Quais medidas concretas sua gestão pretende adotar para melhorar as condições de trabalho nas unidades do TJMG e fortalecer uma política estruturada de gestão de pessoas? Haverá um programa sistemático de fiscalização e adequação das unidades do TJMG?
Vicente de Oliveira Silva:
Existe, atualmente, o Fundo Especial do Poder Judiciário – FEPJ, cujos recursos se destinam ao devido aparelhamento do Tribunal de Justiça e das unidades vinculadas a ele. A melhoria estrutural das condições de trabalho é, portanto, objetivo a ser diuturnamente perseguido, incluindo-se, nessa proposta, o amplo diagnóstico da realidade atual, seu monitoramento e a programação de ações tendentes não apenas à correção dos problemas detectados, como também à melhoria contínua das atuais instalações e dos equipamentos.


