“VOLVER” INSPIRA DEBATE SOBRE CUMPLICIDADE ENTRE MULHERES
sexta-feira, 18/09/26 17:38
O Núcleo das Mulheres (NM) do SINJUS-MG realizou mais uma edição do CineFem, na quinta-feira, 17 de setembro, na Casa Idea. Desta vez, Volver, de Pedro Almodóvar, foi o ponto de partida para uma noite que colocou em pauta memória, relações familiares, independência, sororidade e as diferentes formas de construir redes de apoio entre mulheres.
Em clima leve e descontraído, as participantes dividiram suas percepções sobre a obra e suas personagens. Com mediação da jornalista e crítica de cinema Kel Gomes e participação do doutor em Cinema Anderson Ribeiro, a sessão ganhou diferentes perspectivas e interpretações, reforçando o potencial do cinema para provocar reflexões e aproximar pessoas.
A programação contou ainda com a participação do pianista Ighor Bastos, que apresentou interpretações emocionantes de músicas presentes na trilha de Volver e em outros filmes de Almodóvar. A apresentação ajudou a criar uma atmosfera envolvente e trouxe para a noite um pouco mais do universo cinematográfico do diretor espanhol.
Memória e pertencimento
A relação de Almodóvar com suas próprias origens também esteve entre os temas debatidos. Para Kel Gomes, Volver pode ser entendido como um retorno do diretor às suas raízes, às emoções e às lembranças ligadas à cultura em que cresceu.
A presença de elementos da comunidade de Castela-La Mancha, na Espanha, e a relação com a cidade de Madri foram apontadas como importantes para compreender esse movimento de retorno presente na obra. Nesse sentido, voltar (volver) não significa apenas retornar a um lugar, mas também revisitar memórias, afetos e referências que ajudam a construir uma identidade.
Outro aspecto que chamou atenção durante a conversa foi a maneira como Almodóvar conduz a narrativa e distribui pistas ao longo da trama. Anderson Ribeiro observou que detalhes relacionados ao desfecho são apresentados desde o início do filme, ainda que possam passar despercebidos em um primeiro momento.
Entre os elementos comentados, as integrantes também ressaltaram a construção de independência das personagens, as relações de cuidado, os conflitos familiares e a cumplicidade feminina, aspectos que se manifestaram na própria dinâmica da atividade, que reuniu mulheres com trajetórias e percepções diversas em torno de uma experiência comum.
Seja parte do NM!
Para o NM, o CineFem é também uma forma de ampliar os espaços de convivência entre as servidoras e fortalecer vínculos. Ao promover momentos de cultura, reflexão e diálogo, a iniciativa contribui para uma rede em que fala, escuta e participação ocupam lugar central.
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