Justiça Racial

DEBATE NA FUMEC ABORDA DIREITO ANTIRRACISTA E IMPORTÂNCIA DA LEI DE COTAS

quarta-feira, 19/11/25 17:08 Cleonice Amorim de Paula, mulher negra integrante do SINJUS Antirracista, participa de uma mesa de debate sentada no palco, segurando um microfone enquanto observa a projeção de uma apresentação. Ao lado dela, um homem também participa da conversa, sentado com uma prancheta nas mãos. Ambos estão em cadeiras pretas, com uma mesa de centro entre eles e outro pequeno móvel com um tecido amarelo ao lado.

O SINJUS-MG marcou presença na 2ª edição do Novembro da Consciência Negra da Universidade Fumec, realizada entre os dias 11 e 13 de novembro. A participação ocorreu na roda de conversa “Direito Antirracista”, por meio da contribuição da integrante do SINJUS Antirracista Cleonice Amorim de Paula, a convite da professora Renata Felipe Silvino.  O evento fez parte das ações do Projeto de Extensão Cultura, Diversidade e Consciência Negra, reafirmando o papel das instituições no combate ao racismo estrutural.

Mediado pela pós-doutoranda em Direito pela Universidade de Bolonha Gabriela Oliveira Freitas, o debate contou também com a participação do bacharel em Direito  e mestrando em Direito Público Gladson David da Silva Reis, e reuniu estudantes e pesquisadores para discutir as bases históricas, sociais e jurídicas das desigualdades raciais no Brasil.

Cleonice compartilhou sua experiência como servidora de carreira do Judiciário mineiro, bacharel em Direito e participante de bancas de heteroidentificação, trazendo uma análise profunda dos mecanismos legais que sustentam a exclusão racial.

Em sua explanação, Cleonice apresentou uma linha do tempo das legislações abolicionistas, demonstrando que leis como a do Ventre Livre e a dos Sexagenários, embora apresentadas como avanços, não tinham efetividade e mantiveram a população negra em condições de subalternidade, de exclusão e exploração, ou seja, eram leis “para inglês ver”.

Segundo ela, a noção de liberdade concedida sem condições reais de cidadania é um dos pilares da desigualdade estruturada após 1888. O resultado foram leis que ajudaram a aprofundar a desigualdade ao longo dos séculos 20 e 21, impedindo o acesso equitativo a direitos básicos.

Lei de cotas

A discussão sobre políticas afirmativas, especialmente a de cotas raciais em universidades e em concursos públicos, despertou interesse do público. Cleonice enfrentou mitos e desinformações sobre as cotas, esclarecendo que a avaliação das bancas de heteroidentificação com treinamento específico considera o conjunto de caracteres fenotípicos. Portanto, o procedimento não é aleatório, ele guarda uma coerência que tem comprovação estatística, sendo essencial para a garantia da representatividade negra nos espaços institucionalizados.

A integrante do SINJUS Antirracista alertou que críticas infundadas e fake news têm o objetivo de deslegitimar uma política que vem transformando o acesso de pessoas negras à universidade e ao serviço público, e defendeu os critérios usados pelas bancas de heteroidentificação.

“O objetivo da lei de cotas é gerar uma burocracia representativa, ou seja, as pessoas precisam chegar nos espaços e ver pessoas negras”, ressaltou Cleonice, que completou de forma ácida e contundente, mas também realista: “Dizem que os melhores heteroidentificadores no Brasil são os policiais e os seguranças, pois eles sabem a quem seguir nos supermercados, nos shoppings e quem vai ser revistado”.

Cleonice acrescentou ainda que “a sociedade brasileira sabe quem será discriminado negativamente e que as bancas usam essa mesma percepção para uma política de reparação e inclusão”.

Gladson Reis, Carolina Freitas, Mércia Scarpelli, Cleonice Amorim,  Gabriela Freitas, Adriana Teixeira, Renata  Silvino, Antônio Carlos Murta

Já o mestrando Gladson David da Silva Reis propôs reflexões sobre identidade, branquitude e desigualdade no contexto contemporâneo. O debatedor defendeu a necessidade de ocupação das universidades e dos espaços formadores de futuros operadores do Direito por negras e negros de forma permanente.

O debate na Fumec evidenciou que a igualdade formal, frequentemente proclamada em discursos oficiais, não corresponde à realidade de desigualdade de oportunidades historicamente enfrentada pela população negra brasileira. As consequências impactam toda a sociedade brasileira. Por isso, instituições e entidades precisam colocar a agenda antirracista como prioridade.

Clique aqui e assista ao debate na íntegra.

Notícias relacionadas

Foto de um grande grupo de participantes do Seminário Internacional sobre reparações aos povos negros, reunidos em um auditório diante de um mural colorido com cenas culturais. As pessoas estão sorrindo e posando para a foto, usando roupas diversas e coloridas. Entre os participantes estão as representantes do SINJUS-MG: Cleo Amorim, do coletivo SINJUS Antirracista e as dirigentes do Sindicato Adriana Teodoro e Patrícia Oliveira.
Sinjus Antirracista Seminário Internacional cobra por políticas de reparações aos povos negros terça-feira, 18/11/25 18:01 O 2º Seminário Internacional Pró-Reparações realizado entre os dias 10 e 15 de novembro, em Belo Horizonte, reuniu pesquisadores, lideranças políticas, de movimentos sociais, representantes de instituições públicas e entidades da sociedade civil de diversos países para debater a ... leia mais

Últimas notícias

ver mais
Comunicado Atendimento do SINJUS estará suspenso durante o recesso de Natal e Ano Novo sexta-feira, 19/12/25 17:42 Informamos que o SINJUS-MG entrará de recesso de Natal e de Ano novo a ...
Imagem em formato de colagem com o título “Retrospectiva 2025”. O card reúne fotos de mobilizações, atos públicos e assembleias com a participação de dirigentes do Sinjus-MG e de servidoras e servidores do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). À esquerda, grupo de manifestantes em frente à Catedral de Brasília segura faixas e cartazes em defesa dos direitos da categoria. Abaixo, assembleia e plenária sindical em auditório, com dirigentes do Sinjus-MG e servidores do TJMG reunidos. Ao centro e à direita, registros de protestos contra reformas e retirada de direitos, além de reuniões e votações, com participantes levantando crachás ou cartões, simbolizando a organização, a luta coletiva e a mobilização ao longo de 2025. Retrospectiva 2025 SINJUS acumula novas conquistas em 2025 e se fortalece para os desafios de 2026 sexta-feira, 19/12/25 17:40 Com atuação estratégica em múltiplas frentes, em 2025, o SINJUS-MG conquistou avanços importantes em ...
A imagem mostra o diretor de Comunicação e Imprensa do SINJUS-MG, Alexandre Gomes, falando ao microfone durante a Assembleia Geral Ordinária do Conselho de Representantes da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB). Ao fundo, há bandeiras do Brasil, da CSPB e de entidades sindicais. O ambiente possui paredes claras com detalhes dourados e iluminação suave. ATUAÇÃO NACIONAL SINJUS participa da construção do Plano de Ação e Lutas da CSPB para 2026 sexta-feira, 19/12/25 16:16 O SINJUS-MG participou de forma ativa da Assembleia Geral Ordinária do Conselho de Representantes ...

Convênios

ver mais
Évora Home Care Clínicas - Especialidades Médicas Santa Tereza . Belo Horizonte (31) 3656-2296 (31) 97542-9919 http://www.evorahomecare.com.br/ 30% ver mais
Seu Rico Dinheiro Consultoria financeira Santa Lúcia . Belo Horizonte (31) 99776-6144 instagram.com/seuricodinheiro Até 100% ver mais
Dentista Ana Carolina Carvalho Odontologia Castelo . Belo Horizonte (31) 993885266 Até 15% ver mais
ZOE Cuidados Especializados Clínicas - Especialidades Médicas Centro . Belo Horizonte (31) 98838-0125 (21) 99979-7077 (12) 98102-9782 Até 10% ver mais
Top Fale conosco