Sinjus Antirracista

Seminário Internacional cobra por políticas de reparações aos povos negros

terça-feira, 18/11/25 18:01 Foto de um grande grupo de participantes do Seminário Internacional sobre reparações aos povos negros, reunidos em um auditório diante de um mural colorido com cenas culturais. As pessoas estão sorrindo e posando para a foto, usando roupas diversas e coloridas. Entre os participantes estão as representantes do SINJUS-MG: Cleo Amorim, do coletivo SINJUS Antirracista e as dirigentes do Sindicato Adriana Teodoro e Patrícia Oliveira.

O 2º Seminário Internacional Pró-Reparações realizado entre os dias 10 e 15 de novembro, em Belo Horizonte, reuniu pesquisadores, lideranças políticas, de movimentos sociais, representantes de instituições públicas e entidades da sociedade civil de diversos países para debater a igualdade racial e reparações aos povos negros submetidos à escravização, à exploração e ao apagamento cultural. O SINJUS-MG, por meio do SINJUS Antirracista, contribuiu com as discussões que resultaram na Declaração de Belo Horizonte, um documento que estabelece diretrizes para a luta por justiça reparatória.

O Sindicato foi um dos apoiadores do Seminário organizado pelo Coletivo Minas Pró-Reparações. Diretores do Sindicato estiveram presentes acompanharam diversos painéis temáticos. Nesses temários foram abordados diversos aspectos de como o racismo opera na sociedade e experiências de reparações em diferentes regiões e contextos, como Caribe, Colômbia, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Quênia, Gana e África do Sul. Também foram discutidos movimentos e iniciativas que buscam responsabilizar aqueles que se beneficiaram da escravidão, como Portugal, Inglaterra e o Vaticano.

Vice-presidenta da Colômbia, Francia Márquez, discursa durante o 2º Seminário Pró-Reparações

Esses debates permitiram aos participantes conhecerem diferentes modelos e estratégias de enfrentamento ao legado colonial e escravocrata adotados em diversos países, bem como estruturar alianças concretas para políticas de reparações efetivas no Brasil.

O Seminário contou com aula magna da vice-presidenta da Colômbia, Francia Márquez. Primeira mulher negra a alçar o segundo cargo mais importante naquele país, Francia Márquez destacou a importância fundamental da ocupação dos espaços de poder por negras e negros como estratégia de enfrentamento ao racismo estrutural.

A líder colombiana também enfatizou a necessidade de implementação de medidas concretas para a reparação das violências sistêmicas e históricas a que a população negra é submetida em toda a América Latina e no mundo.

Declaração de Belo Horizonte

Os cinco dias de debates no Tribunal de Contas, na Assembleia Legislativa e na Universidade Federal de Minas Gerais fundamentaram a elaboração da Declaração de Belo Horizonte. O documento foi construído coletivamente e representa um marco histórico. A integrante do SINJUS Antirracista Cleonice Amorim contribuiu com a construção final da Declaração e reforçou que a luta por reparações deve ser um compromisso institucional dos sindicatos e das instituições de Estado.

Cleonice Amorim durante a construção da Declaração de Belo Horizonte

“A pluralidade de vozes, percepções e experiências enriqueceram muito o Seminário e certamente vão nos ajudar na construção de políticas reparatórias na sociedade brasileira. Vamos consolidar os conhecimentos e buscar pela implementação de medidas concretas para uma sociedade mais justa para negras e negros. Os dois seminários realizados em Belo Horizonte, o primeiro, em 2023, e este segundo, agora em 2025, são marcos históricos que vão subsidiar as discussões pró-reparações nos mais diversos países”, ressalta Cleonice Amorim.

A filiada do SINJUS e servidora do TJMG Fabíola Ferreira, que acompanhou o Seminário presencialmente e também de forma remota, destacou a importância da iniciativa que reuniu pessoas realmente engajadas em estruturar uma luta por reparação, um conceito complexo e que envolve muitas camadas e desafios que precisam ser enfrentados.

“Os debates reforçaram a urgência de que a pauta antirracista esteja no centro da atuação do poder público e dos sindicatos. É preciso reparar séculos de violência e desigualdade; por isso, o SINJUS vem apoiando iniciativas como esta, que resultou no Seminário Internacional Pró-Reparações”, complementa a diretora administrativa do SINJUS, Adriana Teodoro.

O apoio ao Seminário e a participação ativa nas discussões reafirmam o compromisso do SINJUS com a pauta antirracista. Desde a criação do SINJUS Antirracista, a entidade vem ampliando ações de formação e conscientização sobre o racismo estrutural no serviço público e na sociedade.

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