ARTIGO

GUEDES ATACA SERVIDOR PARA ESCONDER INCOMPETÊNCIA

terça-feira, 19/05/20 20:51
Alexandre Pires, coordenador-geral do SINJUS-MG

Há no mundo, sobretudo no mundo da política, sempre aqueles que, ao terem que encarar a sua própria incompetência e fracasso procuram meios para transferir a responsabilidade. É o clássico “a culpa é minha, então coloco ela em quem eu quiser”. Esse é, pelos dados e números, o caso do atual ministro da Economia, Paulo Guedes. Afinal, qual resultado concreto o “guru dos mercados financeiros” entregou até agora? Sem a prometida aceleração econômica e sem a redução da dívida pública, o seu maior mérito parece ser o de iludir aqueles que não acreditam nos fatos, apenas em fake news.

Paulo Guedes tem se mostrado ativo no ataque a servidores públicos com insultos que categorizam esses trabalhadores brasileiros como “parasitas” ou “assaltantes do Estado brasileiro”. São acusações desse que fez fortuna apostando muitas vezes contra os interesses brasileiros no mercado financeiro.

Agora, enquanto os servidores do Judiciário estão garantindo o acesso à Justiça e o funcionamento das instituições democráticas, Paulo Guedes acena com a possibilidade da volta do ditatorial, repressivo e mais obscuro ato da ditadura militar, o Ato Institucional nº 5. Enquanto os servidores da saúde estão arriscando as suas vidas para salvar pessoas e o Brasil registra cerca de 18 mil mortes devido ao novo coronavírus,  Guedes e o presidente Jair Bolsonaro querem a todo custo, mesmo que de milhares de vidas, salvar os CNPJs dos bilionários.

Enquanto professores e outras categorias sofrem com salários congelados e atrasados, Paulo Guedes recebe em dia, todo mês, R$ 30 mil de salário, mais cerca de R$ 8.000 de auxílio-moradia. Já os seus assessores diretos são dignos de supersalários que chegam a R$ 54 mil, turbinados pelos chamados “jetons”, que são remunerações recebidas por fazerem parte de conselhos de empresas estatais. Vale lembrar que o teto constitucional está em R$ 39 mil. Desse modo, é possível que muitos cidadãos brasileiros considerem os assessores do ministro os verdadeiros assaltantes do Estado brasileiro.

Por outro lado, apesar de bem remunerado, juntamente com sua equipe, o “guru do mercado financeiro” não parece ser de fato um gestor quando o assunto deixa de ser promessas e passa a ser resultados.

Em novembro, de 2018, o futuro ministro afirmou que a economia brasileira iria crescer 3% em 2019. Pois bem, o novo governo entrou, tratorou a Reforma da Previdência com a ajuda do Congresso, e mesmo assim o resultado não veio. Ao contrário, piorou.

Tanto em 2017 quanto em 2018, o Produto Interno Bruto (PIB) tinha crescido a uma taxa de 1,3%. Sob a gestão de Paulo Guedes, a economia do País desacelerou para 1,1%. E, como lhe é peculiar, sempre que perguntado sobre o desempenho, o ministro lista inúmeros outros culpados, menos a sua incompetência.

Também no final de 2018, Bolsonaro e Paulo Guedes afirmaram que seria possível zerar o déficit das contas públicas já no primeiro ano de governo, mas, os fatos e os números não disseram o mesmo. Em 2019, o déficit público foi de R$ 95 bilhões. Assim, de 2018 para 2019, a dívida pública federal saiu de R$ 3,88 trilhões, ultrapassando a barreira de R$ 4 trilhões pela primeira vez na história, para precisamente R$ 4,25 trilhões, um aumento de 9,59%.

Além disso, de janeiro a março de 2020, a moeda americana, o dólar, valorizou quase 20% e atingiu a maior cotação nominal desde 1994. Muitos pensam que isso não atinge a grande população, os mais pobres, o que é um grande engano. Muitas matérias-primas de itens de consumo básicos são importadas, como trigo, gás e gasolina. Isso provoca um aumento de preço do pãozinho, do macarrão e da gasolina, por exemplo.

Portanto, o que se vê pelos números é um ministro da Economia fraco, que, por meio de palavras ofensivas e ataques, tenta esconder a sua incompetência e sua gestão desastrosa ao culpar os servidores públicos pela crise.

Infelizmente, para o cidadão brasileiro, é preciso dizer que a atuação de Paulo Guedes em 2020, na pandemia da Covid-19, é ainda pior que a do ano passado. Isso explica em certa parte o aumento da ofensiva aos servidores públicos, categoria que ele escolheu atacar para tentar dissimular a sua incapacidade à frente do Ministério da Economia. Diante desse cenário, é imperativo que todos os servidores públicos se mobilizem ainda mais para defender os seus direitos legítimos. Este Brasil só não está pior porque nós estamos trabalhando, enquanto alguns em Brasília se dedicam a proliferar o ódio e as fake news.

SÓ A LUTA TE GARANTE!

Alexandre Paulo Pires da Silva é coordenador-geral do SINJUS-MG, bacharel em Direito, pós-graduado em Direito Administrativo e graduado em Tecnologia de Processamento de Dados. Também já foi diretor de Assuntos Jurídicos do SINJUS e presidente do Conselho de Beneficiários do IPSEMG.

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