A rotina e o cérebro

segunda-feira, 15/06/15 18:00
*Débora Guizoli
 
O que você pensa sobre a rotina? Será que a rotina é benéfica para o ser humano? Nosso cérebro gosta de rotina? Bom, a rotina não é necessariamente ruim. O homem, na época primitiva, saía para caçar e não tinha garantia de fontes de água e comida para sua família. Não havia saneamento básico. A partir do momento que fomos evoluindo e fontes de água e comida foram descobertas, a rotina foi fazendo parte das nossas vidas. É muito bom acordarmos e sabermos que temos água tratada, comida e moradia para nossa família, apesar de estarmos com um problema da falta de água potável muito sério em nosso país. Pensando por este lado, a rotina nos traz segurança e conforto, pois sabemos que no dia seguinte conseguiremos fontes confiáveis para mantermos nossa sobrevivência.
 
Mas, gostaria de elucidar o outro lado da rotina. O que a previsibilidade traz para nosso cérebro? A falta de estímulos, ou seja, tudo se torna tão previsível que não precisamos pensar. Vivemos no automatismo do dia a dia, sem perceber, e assim não estimulamos nossa mente. Consequentemente, nosso cérebro se torna preguiçoso e não desenvolve o potencial cognitivo que possui.
 
Assistir televisão, por várias horas ao dia, não é uma atividade boa para mantermos nosso cérebro ativo. Recebemos conteúdos prontos que, na maioria das vezes, não nos exigem nenhum tipo de esforço mental. A televisão é um ótimo veículo de comunicação, mas que deve ser utilizado sem exageros no nosso cotidiano. Devemos selecionar programas e utilizar outros meios de comunicação – como ler jornais e revistas, por exemplo -, pois assim trabalharemos nosso hábito de leitura, que é um excelente estímulo cognitivo.
 
Nosso cérebro, em termos de evolução, está preparado para agir e reagir à novidade que vem do mundo exterior. Novidades estimulam nossa mente e trazem a possibilidade de novas conexões neuronais, as chamadas sinapses. Ler, participar de grupos de oficina de memória, caminhar, ou praticar alguma modalidade de esportes; aprender outros idiomas; enfim, colocar novidades no nosso cotidiano possibilita mantermos um cérebro mais saudável, capaz de articular mais, mantendo uma ótima atividade neuronal.
 
Uma preocupação atual de alguns profissionais da saúde é para com as crianças, criadas na maior parte do tempo assistindo televisão. Com certeza estas crianças poderiam ter mais estímulos e se desenvolveriam muito mais, tornando-se seres mais criativos, capazes de articularem de maneira mais inteligente os desafios da vida, se elas fossem estimuladas de várias outras maneiras. Devemos estimular nosso cérebro, desde a infância, a fazer coisas diferentes: experimentar novos movimentos, aprender a cada dia algo novo, para que a rotina não invada nossas vidas de tal maneira que cause uma preguiça mental, prejudicando o ato de simplesmente pensar. É pensando que nos tornamos capazes de mudar nossa realidade e melhorar nossa qualidade de vida.
 
Mas como você, caro leitor, pode dar o primeiro passo para sair da rotina e estimular mais o seu cérebro? Comece pelas coisas mais simples, como por exemplo, escolher novos caminhos na rua para ir ou voltar de algum lugar. Procure aprender algo novo que desperte emoção; para que tenha continuidade; busque sempre o contato humano, pois as relações estimulam a nossa mente. Enfim, não fique parado esperando acontecer. A vida nos proporciona muitos estímulos; basta buscá-los todos os dias, para sairmos da rotina.

Débora Guizoli

É psicóloga, com pós-graduação em Gerontologia pela PUC Minas. Atua como Instrutora da Memória Ativa no SINJUS-MG. Possui experiência com trabalhos em grupo focados em Estimulação Cognitiva e Desenvolvimento Humano.

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